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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Saindo do armário

Por: Mob Cranb


Filmes que falam sobre "os diferentes" sempre existiu e sempre existirá. Há dez anos era lançado Get Real que, de imediato, tem uma história bem previsível: Adolescente que se apaixona pelo cara mais bonito do colégio. Até ai normal, mas o tal adolescente é um garoto e, o que seria uma história água com açucar acaba ganhando uma nova dimensão.

Sinceramente, antes desse filme, nunca havia ouvido falar dos atores Ben Silverstone (o adolescente gay), Brad Gorton (o cara bonitão que é gay mas que finge que não é) e Charlotte Brittain (a adolescente cabeça e obesa).

Além de falar da questão de ser gay (diferente) trata ainda da questão da obesidade (diferente) e como, em ambos os casos, é difícil se aceitar pois acaba sempre fugindo do que é considerado "normal" pela sociedade, muitas vezes hipócrita (que o diga Beleza Americana, por exemplo).


Get Real acaba sendo um filme (quase) de alto ajuda para aqueles que, realmente, querem se livrar da "culpa" e sair do armário ou se assumir como "diferente", seja sobre qualquer coisa. Mas também é uma amostra de como pode ser difícil para jovens gays aceitarem-se, e de como é ainda mais difícil assumir-se diante das outras pessoas.

Não é um filme fácil, mas também não é o melhor filme que trata sobre esse assunto. Mas é daqueles que digo: Se você for gay, é bom assitir com seus pais, de repente ficará mais fácil eles aceitarem.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A marca da forca - Papo cabeça num filme de faroeste!


Perambulando por blobs parceiros, percebi a carência de posts a respeito de um gênero cinematográfico que até pouco tempo atrás (uns 25 anos) era bastante popular: o faroeste. Resolvi então escrever sobre um filme deste estilo, aproveitando a deixa dada por Hollywood que lançará quatro novos títulos a partir do final deste ano.

Sendo assim, escolhi escrever um texto sobre algum filme estrelado por Clint Eastwood, pois além de ser um grande ator, seus filmes (com raríssimas excessões) não utiliza a velha trama de western: o índio é o vilão que impede o progresso americano, sendo justificada assim a sua dizimação.

Vamos deixar de enrolação e falemos do filme!

"A marca da forca" foi o primeiro filme de western americano atuado por Eastwood, mas este já possuia o status de "estrela do faroeste" por sua atuação em "três homens em conflito", clássico dirigido pelo italiano Sérgio Leone. De fato, nosso mocinho não frustrou as espectativas dos produtores americanos; sua atuação foi bastante convincente, o que proporcionou varias outras produções na terra de Tio Sam.

O filme conta a história de Jed Cooper (Eastwood) um criador de gado que é confundido com um ladrão e assassino pelo grupo do corrupto capitão Wilson (Ed Begley). Cooper é espancado, crivado de balas e enforcado, mas por incrivel que pareça ele conseguiu sobreviver! Alindo-se a um juiz da cidade onde aconteciam todos os julgamentos da região, Cooper se torna Ranger e sai a procura daqueles que cometeram esta injustiça.

Deste western, que possui um fómula tão simples, podemos retirar algumas discussões a respeito do papel da justiça da época (como também do atual momento); além de um longo debate acerca da pena de morte, já que o herói em questão era totalmente contra a aplicação da pena capital até mesmo naqueles que um dia foram os seus carrascos, genrando fortes diálogos entre Cooper e o implacável juíz que nunca abria mão de ver os seus reús balançando numa corda.

Sinceramente nem eu, como grande fã deste gênero, esperava encontrar neste filme uma discussão tão polêmica, profunda e atual como esta. Além de expor o modo em que as mortes dos condenados eram banalizadas; mulheres e crianças iam para a praça pública assistir as execussões como se fossem simples peças teatrais.

Por fim, convido os nosso amigos blogueiros a ampliar as suas percepções sobre os Westerns, e quebrarem também um pouco do preconceito que este estilo tanto sofre.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Um dia de cao, sua simplicidade estetica e sua complexidade...

Por Andre Ourix

Como podemos pensar o encontro da midia com temas polemicos? quais as consequencias que esse embate pode ter dentro de uma sociedade ainda fortemente conservadora e puritana como a americana, pelo menos em se tratando de uma elite social? acho que sao estas questoes que Sidney Lumet nos traz para uma de suas obras mais espetaculares, conseguindo mostrar atraves de um simples assalto varias facetas da sociedade norte-americana da primeira metade do seculo XX.

Seria um breve assalto sem compromisso. O interesse nao era machucar ninguem, mas sim ganhar dinheiro, encher o bolso de grana. Os tres homens vao ate o banco roubar, tudo esta planejado, mas um abandona-os, sem que se saiba o porque. Sem problemas, as personagens de Al pacino e John Cazale fazem o que tem de fazer e rendem as pessoas do banco. A verdade e que tudo da errado e a policia cerca a area do banco. Logo a imprensa esta cobrindo todo o fato e num piscar de olhos todos ja sabem de quem se trata o agora famoso assassino. Nesse momento percebemos uma grande tranquilidade na personalidade do protagonista (este filme retrata fatos reais, portanto, estamos falamos da personalidade do bandido), que so descobririamos futuramente o porque. Nesse clima de que esta tudo bem causado pelos bandidos, uma certa relacao de amizade e criada entre os refens e os bandidos, de forma que tudo fica mais complicado para a policia fazer uma negociacao ou tentar uma equivocada manobra de resgate. Percebemos no decorrer da pelicula muitas criticas as instituicoes americanas, sejam elas no plano do institucional ou do pensamento. A policia parece ser vista como a verdadeira culpada, a vilania passa para o lado dos policiais, quando o bandido se manifesta sobre abusos de poder e conquista a confianca e o carisma do publico dos arredores.



Mais perceptivel a critica fica quando descobrimos as reais intencoes do assalto. Por motivos sentimentais o assalto foi planejado pelo protagonista, e e ai que nos choca, pois, ele e casado mais tinha um amante do sexo masculino. A midia toda em cima e toda uma tensao desenvolvida sobre o drama do assalto, o crepusculo ocorre e tudo se mantem da mesma forma. Essa critica suave a sociedade americana e bastanta perceptivel, ainda mais com um olhar sobre a participacao da midia no caso, de como a midia pode influenciar, de como pode distorcer os fatos. A verdade e que no final da pelicula vemos tudo se resolver, todo um plano de fuga e posto por agua abaixo, os bandidos tem seus fins tracados e fim de papo.


Por que eu fiz toda uma descricao do filme? e necessario para se entender o contraponto a estetica do filme que coloquei no titulo acima. Um dia de cao e um filme nada mais que simples em sua linguagem, nao inventa muito e nao exagera em termos de filmagem. Tudo o que colaborou para isso foi o fato de se usar poucos cenarios e locacoes, pouca mobilidade de camera, facilitando o trabalho do fotografo e do cenografo. O diretor colabora para isso, de forma que um trabalho simples fica extremamente excitante, na medida em que uma montagem bem feita torna um filme aparentemente monotono com uma adrenalina sem igual. As atuacoes sao brilhantes, uma das melhores de Pacino, John Cazale, apesar de nao fazer um papel de relativa importancia esta bem, e o roteiro que e excepcional.




Enfim, o que quero dizer e que logo de inicio um filme aparentemente simples na sua estetica se torna bem complexo pelas tematicas apresentadas, toda uma critica posta aos nossos olhos, comportamentos, atitudes, pensamentos de uma sociedade de fato um pouco conservadora. Filmes que conseguem casar simplicidade tecnica e complexa historia a ser contada devem ser assistidos com muito prazer, ainda mais essa pelicula que e de fato uma das boas obras que servem de analise social.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Cidade Baixa

Por: Gustavo Madruga

Este é um filme que me deixou um pouco perplexo. Não sei se essa perplexidade se deu pela forma crua em que as personagens e o meio (cenário) são apresentados, ou pelas metáforas (muito inteligentes por sinal).

Perguntei-me: por que só vi este filme agora? Confesso que temi ser mais um filme brasileiro com velhos clichês, como a visão sobre a pobreza ou mais um romance urbano cheio de dramas. Vi que não era nada disso. Logo de inicio nos vemos em um “botequim” sujo e cheio de bêbados, sendo este o cenário onde os protagonistas se conhecem. Rapidamente somos introduzidos ao estilo de vida da personagem da ótima atriz Alice Braga.

Em seguida vem uma das cenas que mais me deixou inquieto: a rinha de galos. Logo depois esta cena confirma-se enquanto metáfora no momento em que o personagem de Wagner Moura é esfaqueado. Existe aí uma profunda comparação entre homem e animal, como o homem às vezes tem que conquistar algo através da briga ou apenas tentar marcar o seu espaço como é mostrado na cena final do filme, onde os protagonistas se agridem motivados pelo amor de uma prostituta. Aliás, esta ultima cena abre espaço para outra discussão, a banalização da violência. Os moradores da rua onde os personagens se digladiam observam com grande naturalidade este fato.
A linguagem do filme é bastante convincente, as gírias trejeitos e vícios lingüísticos da região é muito bem explorado. Isso se deve tanto por causa dos atores serem baiano quanto pela ótima direção de Sérgio Machado. As atuações foram excelentes, a transformação de Lázaro Ramos de cara franzino e engraçado num homem forte fisicamente e de pouco humor é de se tirar o chapéu.

Alice Braga merece também grande destaque por ter exprimido tão bem a realidade de uma prostituta, desmistificando todo o glamour que é erroneamente atribuído a esta profissão através de novelas e alguns péssimos filmes.

Falando da parte técnica, a fotografia foi impecável (um recurso em que o Brasil mostra qualidade para americano nenhum botar defeito), sufocante quando necessário e suave em raros momentos. De inicio a montagem foi confusa, mas aos poucos nos moldamos a maneira de como o filme é apresentado.

Cidade baixa é um filme forte e inquietante, e com certeza merece um lugar de destaque no rol de bons filmes brasileiros.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

O segredo de Vera Drake

Por: Mob cranb


Antes de falarmos sobre O Segredo de Vera Drake (Vera Drake, 2004) acredito ser importante mencionar que os dois filmes anteriores do diretor inglês Mike Leigh possuem estrutura similar ao que iremos analisar. Seus filmes sempre tratam de famílias afetadas por um certo descompasso social, sejam convenções morais ou problemas reais como alcoolismo e desemprego, que prejudica a sua convivência. A princípio só quem está assistindo o filme percebe tal problema, já que os personagens se acostumaram à rotina. Mas a tragédia anunciada funciona como um infarto: uma hora as artérias, cada vez mais entupidas, vão arriar.

Os dois filmes anteriores a Vera Drake, Segredos e Mentiras (1996) e Agora ou Nunca (2002) têm finais iguais: a “lavagem de roupa íntima” e suja serve como uma desobstrução vascular, um diagnóstico salvador no último momento. As famílias sobrevivem porque abrem corações, intimidades e confidências. O segredo de Vera Drake também é sobre uma intimidade escancarada, mas no sentido totalmente inverso. O diretor não quer dar uma lição em seus personagens, mas na audiência, isto é, naqueles que assistem ao filme. De curiosas testemunhas oculares viramos cúmplices.

O tal segredo do título não é segredo para nós. No dia-a-dia Vera (Imelda Staunton) é esposa dedicada, mãe de dois filhos se empenha em casar logo a mais nova. Toda semana, porém, sai de casa escondida para realizar abortos em meninas desesperadas e mulheres descuidadas, muitas das quais não conseguem pagar uma clínica clandestina decente. Vera age de modo maternal, mas não se abate. Está lá só para livrar-las do inconveniente. Faz o serviço por “caridade”, como ela sempre insiste em demonstrar, e não ganha dinheiro por isso.

Como todas as pessoas que praticam o bem (embora, no caso, o aborto seja considerado um crime, pelo menos na Inglaterra de 1950, a época em que se passa a história), Vera é uma ingênua, uma pura, que jamais desconfiou de que estava sendo usada pela outra. E, também, vítima de inveja, no caso da esposa do irmão do seu marido.

Mas fica a dúvida: Seria só por caridade mesmo tal ato?



A mocidade dela não nos é explicada, muito menos seu casamento precoce. Nesse ponto, o diretor nos negligencia de tais informações. Diante do espectador Vera Drake mantém a mesma postura fina, polida e hermética que conserva diante das visitas a quem serve chá. Ela É o segredo. Nós ficamos sabendo só um pouquinho além do que a família de Vera sabe. E a família não sabe nada.

Podemos até não perceber, mas por curiosidade, seja mórbida, seja natural, seja moral, seja científica, não vemos a hora dessa misteriosa benemerência ser desmascarada e, finalmente explicada. É com misto de terror e gozo que recebemos a notícia de que Vera foi descoberta pela polícia. E estamos na Inglaterra do pós-guerra, tempos conservadores e, muitas vezes hipócritas. Uso tal expressão, pois, mesmo sendo o aborto proibido, uma personagem consegue fazê-lo em uma clínica que tem uma freira como diretora. Não é interessante contar o processo pelo qual Vera passa, mas tem muito em comum com a crueldade de Dançando no escuro (2000) de Lars von Trier. A cada evidência apresentada no tribunal, em detalhes doídos, pausados, Vera parece se corroer por dentro, mas é para nós que o dedo é apontado de verdade.

À medida que O Segredo de Vera Drake vai se desenrolando, fica patente que o diretor não pretende se posicionar a favor ou contra o aborto. A intenção, clara, é a de destacar a bondade de uma mulher casada, mãe de um casal de filhos, de ajudar mulheres a se livrarem do filho indesejado.

Nos momentos em que praticava o aborto ou “ajudava as meninas” como afirma a personagem, Vera é impelida a se deixar guiar por instintos fundamentais, renegando a um plano secundário a sua vontade e deixando de lado a segurança do pensamento racional. O que nos faz lembrar do homem dadivoso nietzschiano que se assemelha, para utilizar uma imagem trágica, a uma vela que quanto mais ilumina consome a si própria...

segunda-feira, 9 de abril de 2007

O Pianista

Por: Mob Cranb
Um conflito que envolveu o mundo inteiro e matou 45 milhões de pessoas, a Segunda Guerra Mundial entre 1939 e 1945, ficará para sempre na memória da humanidade como um triste marco do século XX. Essa guerra foi mostrada por diversos meios: fotografia, música, literatura, quadros e pelo cinema. Neste último, sempre há novas obras tentando sempre buscar uma reflexão sobre esse assunto.


O filme O Pianista (The Pianist) foi lançado em 2002 e é uma produção do cineasta Roman Polanski. A história é baseada na autobiografia de Wladyslaw Szpilman (1911-2000), um dos 400 mil judeus que viviam em Varsóvia e que foram sumariamente massacrados quando a Alemanha invadiu a Polônia, em 1939. Szpilman, aclamado instrumentista da Rádio Nacional, assistiu ao confinamento de sua família e dos seus pares poloneses no chamado "Gueto" da cidade, sofreu diante das normas racistas impostas pelo exército nazista, escapou do conseqüente extermínio e sobreviveu como um moribundo nos escombros da cidade até o final da II Guerra Mundial, em 1945.

Polanski nasceu em Paris, mas, descendente de poloneses, mudou-se com os pais para Varsóvia aos dois anos de idade, em 1935. Ali, no meio da guerra, assistiu à morte da mãe e da irmã e, com certeza ficou com as imagens do extremismo marcadas na memória.

É interessante mencionar que muitas das passagens vistas no filme, de certa forma, fizeram parte da vida de Polanski. A cena em que o pai de Szpilman recebe a ordem de um oficial nazista para andar na sarjeta, ao invés da calçada, e acaba surrado, aconteceu com o pai do diretor, segundo foi noticiado na época em sites e revistas.

Já a vida singular de Szpilman serve como um diferencial poético. Sem tino para a luta armada, o personagem figura ora como observador dos acontecimentos, ora como um fantasma que resvala de esconderijo em esconderijo. Do contraste entre o seu delicado talento artístico e a brutalidade da guerra, surgem as passagem mais emocionantes. Dentre elas, para mim, a mais bela e emblemática é aquela em que Szpilman, mantido isolado em um apartamento deserto, apenas simula tocar um piano, uma vez que qualquer barulho acabará com a sua "camuflagem".

Passivo ao extremo, o pianista não é um herói na acepção habitual da palavra, já que sua postura frente às dificuldades jamais é a de alguém disposto a lutar por seus ideais ou mesmo por sua vida: durante toda a duração do filme, Szpilman é conduzido de um lado a outro de Varsóvia por amigos e aliados, mas jamais questiona os planos que lhe são apresentados. Aliás, a impressão é a de que o sujeito se mantém vivo mais por inércia do que por persistência: ao ficar preso por duas semanas em um apartamento sem comida, por exemplo, ele sequer tenta encontrar uma saída para o problema, limitando-se a deitar em um sofá e agonizar até que alguém venha ajudá-lo.

Sem se preocupar em criar momentos melodramáticos para arrancar lágrimas do espectador, O Pianista é um filme triste sem que, para isso, precise ser emocionante. A tristeza provocada por esta história não vem de momentos artificialmente criados através da utilização da trilha sonora ou de discursos cuidadosamente escritos, mas sim da constatação assustadora de que os seres humanos são capazes de realizar atrocidades inimagináveis – e o fato do protagonista desta produção ser um pianista somente contribui para salientar este fato, já que estabelece um forte contraste entre a beleza criativa das Artes e a monstruosidade insana da Guerra.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Um estranho no ninho, uma estranha sensação

Por ANDRÉ OURIX
Quem nunca comentou sobre cinema perto dos pais? Estes nos dizem: esses filmes de hoje em dia são uma tremenda porcaria, não valem de nada. Cinema bom é o do meu tempo, onde tudo era feito com muita qualidade, sem essas baboseiras de efeitos especiais e truques de CG.
Assim podemos dizer como é fantástico e maravilhoso o cinema dos anos 70, com toda sua emoção e certa simplicidade. Tempos do auge do cinema norte americano que conseguia passar para o espectador um estereotipo da humanidade e não de sua nação, coisas que acontecem hoje em dia.
Vemos este tipo de realidade em Um estranho no ninho(One Flew Over the Cuckoo's Nest) de 1975, filme que retrata a vida de Randle Mcmurphy, um prisioneiro que por trabalhar muito na prisão, acaba por se fingir de louco afim de ir para a suposta “vida boa” de um sanatório; lá ele sofre muito e acaba vendo a dura e triste realidade de um manicômio. Uma das grandes obras primas da década de 70, dirigida por milos forman(Amadeus,1984) e atuada brilhantemente por Jack Nicholson(Melhor é impossível,1997) e Louise Fletcher. Uma fantástica pelicula que peca apenas em termos técnicos como trilha sonora, fotografia e em sua entediante narrativa que não exprime nenhum momento eletrizante na trama. No entanto, é compensado pelo fantástico roteiro e por elementos fortíssimos como altas doses de humor cruel, chocantes cenas da realidade da psiquê humana, assim como uma grande critica a sociedade naquele tempo, tratando-se de um drama torturante, não no mal sentido.
Fica uma sensação em nosso ser depois de ver este filme. Um belo e triste sentimento. Fatal. Arrebatador. Alegre e chocante. Você sente tudo isso. E também fica um sentimento de perpetuidade de o estranho no ninho, que sempre representará em sua película uma mensagem de salvação ao ser humano, este que tenta ao Maximo sua liberdade, mas que com a pervesidade e crueldade do mundo nunca consegue e talvez nunca conseguirá obtê-la.

quinta-feira, 15 de março de 2007

Trailler de "A Vida dos Outros"

Por: Flávio André

Para quem quer saber mais deste filme, clica aí no link e dá uma olhadinha no trailler.


link:

A VIDA DOS OUTROS (2006)

Por: Flávio André
Anos 80. Guerra Fria. Controle. Vigilância. São palavras que por si só caracterizam esse período conturbado da história mundial. “A vida dos Outros”, uma produção alemã do diretor (Florian Henckel von Donnersmarck),nos concedeu uma versão particular de como esses tempos foram cruéis para a Humanidade. Ganhador do Oscar de 2007 de melhor filme estrangeiro, também concorreu com "Dias de Glória" (Argélia), "O Labirinto do Fauno" (México), "After the Wedding" (Dinamarca) e "Water" (Canadá). O filme se situa no ano de 1984, onde o governo de Berlim Oriental organiza um sistema de controle dos cidadãos.A Central ficava de olho em tudo sobre a vida de todos. Tinha conhecimentos de que, em média um homem comprava 2,3 pares de sapatos por ano; lia 3,2 livros e 6,743 estudantes se formavam com nota A. Porém existia uma estatística não publicada. Os suicídios foram deixados de serem registrados desde 1977 e escondiam, na maioria das vezes, mortes causadas pelo descontentamento ao regime ferrenho no país: o socialismo. Pessoas preferiam escolher a morte, em vez de viver distante de suas paixões.È o que aconteceu com Jerska (Volkmar Kleinert), um grande diretor que encontrou este “melhor” caminho. A partir daí outro diretor de teatro chamado Gerog Dreyman (Sebastian Koch) reuni em sua casa seus amigos e resolve fazer uma peça sobre o suicídio misterioso de seu companheiro Jerska, contrariando as normas da Segurança Nacional, que censurava toda e qualquer deslize à imagem do regime. Eles não poderiam se conformar com a situação.
A casa de Dreyman agora é vigiada por arapongas. Gerd Wiesler (Ulrich Mühe) é o espião, conhecido pela audácia com que fazia seu trabalho. Porém, dessa vez foi diferente. A cada dia que se passava, Gerd admitia que a Segurança Nacional estava cometendo um grande erro. As provas que poderiam acusar o diretor Dreyman são retiradas pelo espião. Wiesler ou HGW XX/7 se torna um mediador do caso. Dele dependia a inocência do diretor.
Em poucos momentos a trilha sonora se torna cativante e, acompanha a dramaticidade do filme, a montagem se torna linear, as vezes cansativa, mas o final vale a pena conferir. Ainda bem que este período já se passou, porque se dependesse desta minha crítica, lá por essas horas já estaria preso.

segunda-feira, 12 de março de 2007

21 anos de Platoon

Por: Gustavo Madruga

Este ano,um dos melhores filmes de guerra do cinema completa 21 anos e, há 20 ganhava os principais prêmios de cimema: Oscars, Globo de Ouro e Urso de Prata (Melhor diretor).

Filme que retrata a guerra do vietnã, na ótica do jovem recruta Chris Taylor(Charlie Sheen), Platoon tem como diferencial, em relação a grande maioria dos filmes de guerra, a não utilização de "americanismos". O filme não se preocupa em mostrar uma batalha do bem contra o mal, mas sim expor sem nenhum pudor, o lado cruel e desumano da guerra. Além de fazer uma pesada crítica ao sistema de classes - tanto econômicas quanto hierárquicas - dentro do exército.

Ser escrito e dirigido por um ex-combatente no Vietnã (Oliver Stone), contribuiu para que a película adquirisse um caráter verdadeiro e imparcial.

Este foi um dos filmes mais lucrativos de Stone, arrecardando só nas salas americanas U$137 milhões, tendo custado apenas U$ 6 milhões.

domingo, 11 de março de 2007

Babel





Babel (2006) é o filme que encerra a “trilogia da morte” de Alejandro Iñarrítu, composta ainda por 21 Gramas (2003) e Amores Perros (2000), todos os três também roteirizados por Guillermo Arriaga. Babel é tão sufocante quanto os dois primeiros e é um filmaço. Seguindo a característica da trilogia, Babel traz várias histórias aparentemente desconexas interligadas por um único evento. Roteiros sagazes e precisos, de grande criatividade e capacidade de entrelaçamento de tramas. Em Babel, vemos um casal de turistas americanos no Marrocos (Brad Pitt e Cate Blanchet), dois meninos marroquinos e seu pai, uma menina deficiente auditiva no Japão e imigrantes mexicanos atravessando a fronteira. Uma Babel de línguas, sentimentos e experiências que se cruzam e se desentendem, choques culturais e éticos, solidões distintas, crueldades diversas. Há cenas fortíssimas, sem ser apelativo. Um mosaico de desespero e desamparo em variadas manifestações. Um dos melhores filmes deste início de século e que nos da uma pequena dimensão o quanto, hoje, estamos cada vez mais ligados ao que acontece no mundo... uma grande teia que, uma gota d’água balança toda a estrutura.



Por: Mob Cranb

sábado, 10 de março de 2007

PEQUENA MISS SUNSHINE

Por: Flávio André

Uma família. Um sonho. Uma kombi. Vários problemas. Neste âmbito insere-se essa comédia-musical que recebeu 4 indicações ao Oscar 2007,mas só levou 2 estatuetas de melhor ator coadjuvante (Alan Arkin) e melhor roteiro original. Este filme, apesar de todos os problemas financeiros, sendo necessários 5 anos para a sua realização, tem conquistado os telespectadores pelo brilhantismo da pequenina Oliver (Abigail Breslin) que tem um sonho de ser a Miss Sunshine e ter a oportunidade de mostrar ao seu pai que ela é verdadeiramente uma vencedora.
O problema é que ela não está nos padrões de beleza para ganhar o concurso, exibindo com classe um estereotipo nada atraente, com seus óculos “fundos de garrafa” e “barriguinha” resultado de uma garota que adora sorvete. Mas nesta falta de sorte, ela não se encontra sozinha. Convive com pessoas sinistras e complicadas no seu dia-a-dia. Seu pai, nada contraditório, é um frustrado na vida que vive dizendo a todos que é um vencedor. Seu avô é um dependente químico expulso da casa de repouso. Seu tio um homossexual revoltado que tentou suicidar-se por ver seu “namorado” o trocando por outro. Seu irmão é um amante de Nietzche que fez um voto de silêncio por 9 meses para passar no concurso e ser um piloto da Força Aérea. Mas descobre por ironia do destino que é daltônico. Sua mãe, pobre coitada, vive perturbada tentando driblar seu possível divórcio e organizar uma família um pouco fora dos padrões normais.
Até aqui, tudo bem. Agora imagine todo este pessoal esquisito preso numa Kombi que, só “pega” na terceira marcha, viajando em busca do sonho desta pequenina. Já dá para adivinhar no que vai desenrolar por aí! Apesar de ficar indignado com a eleição política do Oscar para Alan Arkin como melhor ator coadjuvante, merecendo Djimon Hounson em “Diamante de Sangue”, o filme mexe bem a questão moral dos americanos levantando pequenas críticas a certos conceitos éticos-sociais que eles tanto declaram que tem, como: família estruturada, sucesso profissional e beleza.
Pequena Miss Sunshine é um grande filme para quem quer se divertir e reunir toda a família em casa no sábado à tarde. Só espero que eles, também, não sejam tão estranhos assim. Tenho certeza que não.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Closer - Perto demais





Closer (2004) é um filme dirigido por Mike Nichols e mostra a história de dois casais, dilacerados por infidelidades. Dan (Jude Law) e Alice (Natalie Portman) conhecem-se nas ruas de Londres e apaixonam-se. Entretanto Dan, um escritor de obituários, fica obcecado por Anna (Julia Roberts), uma fotógrafa. Dan “apresenta” inadvertidamente Larry (Clive Owen) a Anna e os dois desenvolvem um relacionamento acabando por se casarem. No entanto existe uma química sexual entre Dan e Anna, e numa menor extensão entre Larry e Alice.
Os rituais, expectativas e tabus que regulam a vida emocional humana marcam presença nesta película. Por vezes de forma atroz, outras vezes de forma sarcasticamente engraçada e ainda outras tantas de forma vulgarmente apropriada. “Closer” é também um olhar provocador sobre o impacto da verdade e da mentira.
O material é forte e mordaz. Num ponto de vista físico, o filme não é violento, mas num plano emocional é absolutamente brutal. A qualidade emocional que “Closer” procura apresentar é poderosa e perturbadora. Nichols mostra de forma cruel mas verdadeira, o comportamento da maior parte da Humanidade. O ser humano regrediu e não passa de uma alma pútrida que se alimenta física e emocionalmente de outrem. Atua como um vírus que suga tudo o que lhe convém e quando esgota os recursos que procura na sua vítima, parte despreocupadamente para outro ser. A palavra amor tornou-se banal. A palavra “amo-te” é proferida por incautas bocas, que na realidade apenas vivem frívolas paixões. O filme enfatiza como o homem e a mulher se usam mutuamente como simples objetos sexuais. As personagens nunca emergem acima da sua libido. Das relações urbanas.
“Closer” é portador de uma representação soberba (Clive Owen), a fotografia capta maravilhosamente as emoções expressas nos rostos das personagens e o fato do filme fugir do convencionalismo cor-de-rosa dos filmes românticos de Hollywood é de salutar.
Existe imensa pornografia na linguagem e nem um flash de magia romântica. Até o momento em que Dan conhece Alice parece um anúncio publicitário de perfume. O sexo é usado como uma ferramenta nas lutas de poder e apesar da palavra “amor” ser mencionada algumas vezes, a sua colocação neste filme é forçada, pois as efémeras emoções não adquirem a harmonia ou transcendência do “Amor”.
Em “Closer” as relações permanecem enquanto satisfazem as partes. São relacionamentos nos quais se entra apenas pelo que cada um pode ganhar e se permanece apenas enquanto ambas as partes imaginam que estão proporcionando satisfações suficientes para permanecerem nas relações. Viver juntos é “por causa de” e não “a fim de”. É um filme para ver e rever, estando ou não amando.
Por: Mob Cranb